EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

ERNESTO NETO: ANANTA ANANDA

A exposição Ananta Ananda apresenta pela primeira vez na região uma mostra individual do artista Ernesto Neto. Reconhecido por suas esculturas e instalações que envolvem o espectador, Neto desenvolve há anos um trabalho atento em torno da imagem da serpente em diferentes tradições do mundo, compreendendo-a como símbolo de continuidade, transformação e interconexão entre formas de vida. Para o Veras, o artista se concentra na figura de Ananta, a serpente que carrega o infinito, na tradição védica. Em associação a
Ananda, a bem-aventurança inerente a toda forma de vida em seu estado espiritual, a exposição integra as relações entre Brasil e Índia que o Veras preserva desde sua origem, especialmente no que concerne às cosmologias indígenas brasileiras e às tradições védicas.

Deste modo, sendo o artista uma das figuras mais relevantes da arte contemporânea brasileira na proposição de sínteses poéticas que acolhem saberes ancestrais, a instalação configura um espaço de convivência, contemplação e experiência sensorial, no qual o corpo é convocado a se perceber como parte de um fluxo contínuo entre matéria e consciência. A obra se materializa com tecidos tensionados e elementos naturais, articulada a uma dimensão sonora que acolhe instrumentos musicais e ativa o espaço como campo relacional. 

Ao articular a imagem de Ananta ao princípio Ananda, a exposição cria uma ambiência que atravessa o infinito e a alegria essencial, reafirmando o interesse do artista por estados de conexão entre arte e espiritualidade. Instalada na Sala Bhakti & Vedanta, a obra se desdobra como um ambiente imersivo que tensiona os limites entre escultura e arquitetura, convidando o público a habitar uma percepção expandida de si em conexão com narrativas que transcendem o tempo e o espaço.

Saiba mais sobre o artista:

Ernesto Neto
(Rio de Janeiro, Brasil, 1964)

Ernesto Neto produz esculturas e grandes instalações imersivas, utilizando técnicas artesanais como o crochê para compor estruturas flexíveis e interativas que ativam os nossos cinco sentidos, com a incorporação de elementos botânicos, ervas e especiarias. O artista tece membranas e peles, redes e invólucros que usam a gravidade e o equilíbrio como recursos de composição. Seus trabalhos mantêm sempre uma relação com a natureza, seja por meio de suas fisionomias biomórficas, seja no caráter interligado dos elementos que compõem seus espaços. Os ambientes plurissensoriais de Ernesto Neto são percorridos e habitados, formando locais de encontro, troca e reflexão. O público não é pressuposto como um grupo de observadores, mas acolhido como um coletivo de presenças e corpos ativos nas instalações.