Ao longo do dia e da noite, borboletas, besouros, mariposas, morcegos, beija-flores e abelhas são capazes de polinizar inúmeras plantas floridas, que aguardam esses encontros para frutificar e dar continuidade ao ciclo das sementes que encapsulam florestas. Ao transportarem partes das flores que encontram pelo caminho, esses seres tornam visível uma relação fundamental entre as diferentes formas de vida: nenhum organismo existe inteiramente por si mesmo.
É a partir dessa imagem de trânsito, troca e interdependência que se constrói Polinizadores, primeira exposição individual de Efe Godoy na Ilha de Santa Catarina. Na obra da artista, o hibridismo entre plantas, animais e outras formas de vida revela relações que muitas vezes permanecem imperceptíveis.
A exposição reúne trabalhos realizados em diferentes técnicas e suportes, entre aquarelas, colagens fotográficas, pinturas acrílicas e sublimação em tecido. Em Desabrochando (2025), uma flor ocupa o lugar da cabeça de uma figura humana, enquanto Um girassol da cor do seu cabelo (2025) combina aquarela sobre tela e fotografia, aproximando elementos botânicos e registros da memória. Já em PLANTADA esperando (2026), a artista utiliza aquarela e colagem de fotografia cedida pelo Arquivo Público de Belo Horizonte, dando continuidade às relações entre imagens, organismos e suas transformações.
Essas aproximações também estão presentes na série Poemas fantásticos para jardim (2025), composta por pinturas acrílicas sobre placas de MDF recortadas a laser, nas quais formas vegetais e animais se misturam em composições de grandes dimensões. Em Eu também floresço, a artista explora a sublimação em tecido, ampliando as possibilidades materiais de sua produção.
“Em Efe Godoy, não há formas de vida completamente isoladas. Plantas, animais e seres humanos aparecem em permanente relação, como se cada organismo carregasse consigo vestígios dos outros. Os polinizadores tornam essa ideia especialmente visível: ao transportar partes das flores, eles levam consigo a própria possibilidade de continuidade da vida”, explica o diretor do Veras, Josué Mattos, curador da exposição.
Efe Godoy é mineira, poetiza, arte educadora, artista visual míope, trans, compositora, performer e fazedora de imagens híbridas. Natural de Sete Lagoas/MG, vive e trabalha em Belo Horizonte, já ilustrou capas de livros e também capas de discos. Sua produção explora o hibridismo entre plantas, animais e figuras humanas, transitando entre desenho, pintura, fotografia, música e performance, com pesquisas relacionadas ao realismo mágico. Estudou na Escola Guignard, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).
A programação de artes visuais do Veras, composta por residências, ateliês e exposições, conta com o apoio do Prêmio Funarte de Apoio a Ações Continuadas – Artes Visuais, no biênio 2026–2027.