







O oco da mão, exposição individual de Betânia Silveira integrou o Ciclo de exposições do Veras. A mostra contou com curadoria de Josué Mattos e Rainara Sofia, e foi fruto do edital lançado pelo centro cultural em maio de 2025, iniciativa que escolheu Betânia Silveira na categoria artista em meio de carreira.
Betânia Silveira é artista e professora de cerâmica desde 1988, possui mestrado em Artes Visuais e doutorado em Teatro, tendo desenvolvido ao longo de sua trajetória acadêmica pesquisas voltadas à cerâmica e suas relações com a arte. Atuou como professora em instituições como a Escola Guignard / UEMG e o Centro de Artes da UDESC, além de orientar por mais de duas décadas a oficina de cerâmica do Departamento Artístico Cultural da UFSC e atuar na Oficina de Cerâmica do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Desenvolve pesquisas no campo da tridimensionalidade, explorando a cerâmica em diálogo com outros materiais moldáveis, vídeo, fotografia, multimídia e performance.
Caso estivessem dispostos à beira de lagos, mares e cachoeiras, parte do conjunto de O oco da mão se confundiria entre seixos, pedregulhos e matéria orgânica em decomposição. No entanto, em vez de mimetizar a natureza, a prática de Betânia Silveira expressa reverência e reconhece na ritualização do gesto simples um modo de conectar o corpo com a fertilidade da terra. O oco, neste caso, é o mesmo que certa vez Eli Heil disse ao considerar sua obra como sendo uma homenagem ao ovo, óvulo e ovário. O oco da mão equivale ao calor e a espera da mãe que aguarda a eclosão do ovo, o que a artista faz há décadas em suas obras processuais.
Em Talismãs, a forma adquire o aspecto de um punhado de argila que imprime no barro o avesso da mão. O método empregado na produção desta série — o mesmo que empresta seu nome à exposição — faz da repetição um processo que se inscreve na permanência da vida, presente no barro e no pulso. O desprendimento marca o conjunto de centenas de esculturas, uma vez que o resultado exibido na exposição equivale a uma pequena parte da produção. Em toda a exposição, a artista toma como base a criação tanto dos contornos do corpo quanto de formas elementares para a construção de abrigos e moradas.
Oferenda ao tempo testemunha do mesmo compromisso que a artista possui com os ciclos da matéria. Na instalação disposta sobre uma camada de terra, centenas de peças em cerâmica compõem um círculo que evoca folhas desprendidas de árvores. Ao centro da obra, um conjunto de argila crua modelada no mesmo formato permanece em contato com água, acentuando os ciclos entre forma e matéria disforme. esse s mesmos ciclos aparecem em Quiasmas, no qual a artista materializa um paradoxo da percepção: dar a ver um mesmo fenômeno em seus diferentes estágios. As esculturas entrelaçam um tempo curvo, que dilata e contrai. Tal como a semente ao lado de seu fruto, as esculturas evocam a memória de colheitas prévias e o vislumbre de novas existências que surgem do gesto e da germinação.
Josué Mattos e Rainara Sofia
O Ciclo de Exposições é realizado com patrocínio do Município de Florianópolis, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura nº 3659/91.
Realização: Centro Cultural Veras
Apoio Master: SmartFit, Junckes e Verbena Participações
Apoio Cultural: Hospital Baía Sul, NDTV e Record Oficial
Patrocínio: Fundação Franklin Cascaes e Prefeitura de Florianópolis