Ateliê Aberto

WAGNER KUROIWA: TUDO É SAGRADO

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Uma radiografia pode se transformar em suporte para o giz pastel, enquanto a madeira recebe pintura acrílica e o bordado se aproxima do desenho. Na produção de Wagner Kuroiwa, diferentes materiais e técnicas se encontram em composições que transitam entre o figurativo e o abstrato, explorando as possibilidades expressivas de cada suporte.

É a partir dessa diversidade de linguagens que se desenvolve o Ateliê Aberto de Pintura e Bordado com Wagner Kuroiwa, cujos resultados o Centro Cultural Veras abriu ao público no dia 17 de outubro de 2026. A atividade reúne cinco encontros nos quais os participantes têm contato com técnicas utilizadas pelo artista e desenvolvem trabalhos a partir de experiências coletivas de criação.

A atividade tem como ponto de partida a obra Tudo é sagrado e o mais sagrado de tudo é a vida, em referência ao Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. Ao longo dos encontros, os participantes exploram diferentes procedimentos artísticos, como bordado, bico de pena, pintura acrílica sobre madeira e giz pastel sobre radiografia, experimentando relações entre materiais, imagens e formas de expressão.

A apresentação dos resultados inclui um momento de debate e troca de experiências, permitindo ao público conhecer os trabalhos e os caminhos que orientam sua elaboração. A proposta valoriza os processos de experimentação e aprendizagem compartilhados entre o artista e os participantes.

Segundo Rainara dos Anjos, curadora do Veras, a apresentação busca “dar a ver ao público esse momento em que a obra está em construção”. Nesse sentido, o ateliê aproxima a prática artística de uma experiência de formação coletiva, na qual o contato com diferentes técnicas abre espaço para novas possibilidades de criação.

Sobre o artista:

Wagner Kuroiwa nasceu em Garça, no interior de São Paulo, em 1946. Artista plástico autodidata, desenvolveu sua trajetória nas artes visuais paralelamente à carreira médica, tendo se formado pela Escola Paulista de Medicina em 1976. Sua produção reúne pinturas, aquarelas, desenhos, bordados, entalhes em madeira e intervenções sobre radiografias, frequentemente abordando temas relacionados à natureza, à sensibilidade humana e à imaginação poética. Ao longo de sua trajetória, realizou dezenas de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com obras presentes em coleções de mais de 25 países. Em Santa Catarina, apresentou a exposição Menor que meu sonho, não posso ser, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis, em 2025, e Verbo Olhar, na Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2026.

A programação de artes visuais do Veras, composta por residências, ateliês e exposições, conta com o apoio do Prêmio Funarte de Apoio a Ações Continuadas – Artes Visuais, no biênio 2026–2027.